sábado, 16 de janeiro de 2016

Everybody go!

quando comia com vontade
o último pedaço gorduroso

de algo num lixo
de um apartamento qualquer

lembrara que não bebera

tirou da mochila molhada
meio bujãozinho de pedra90

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Bronca

viu-se diante do tornado
fora atingido certamente

há coisas que persistem
pelo natural de tudo

mas passa

quiçá depois do natal
ou do réveillon

alguém disse carnaval?

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Cafard

da lama à lama
do caos à lama
da vida à lama

da exploração à grandes iates
do dinheiro à prazeres infindáveis

da cobiça à lama
da crueldade à lama

(...)
(lama)
!

do que se trata mesmo?

sábado, 31 de outubro de 2015

Ode contemporânea ao Saci

aqui god don’t save the queen
aqui não existe Halloween
minha festa é outra
a casa está bagunçada
tem que ser assim

vinde rei negro
deus ligeiro em vários furacões
trazei seu pé solitário
embora mágico!
acendei vosso cachimbo
tirai coisas doces de vosso gorro
tirai o que mais quiser

vamos brincar nos divertir
assustar alguns desorientar outrem

esperei pelo vosso dia
como a planta espera a chuva
trazei seus amigos nobres

e também celestiais
vamos celebrar

chamai o curupira invertido
o macunaíma carne de minha perna
avisai o boto
mandai carta ao boitatá

este dia é importante
a verdadeira mata está feliz

não esqueçais da mula-sem-cabeça
do lobisomem da natureza

Saci meu bom Saci
hoje é vosso dia

glória a vós matreiro
glória a vós zombeteiro
glória a vós brasileiro

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A rua mais tranquila

acredita esperar com pouca
confiança

deitado corre sempre ligeiro
tropeça no abismo
cai de cabeça

e compreende a metafísica

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Véspera

o rap é forte
a rima quase rara
o teste dos testes

vendo mundos sucumbirem
vendo mundos construírem
imagina pensa colore sonha

acordado e duas vezes
dormindo. sonhando acordado

colorindo colorindo colorindo...

o preto é cor também

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Setembro fim

muitas vezes ausências silêncios
nuvens ensaios árias sangue

cartas de longos p.s.
rebuscamentos exacerbados úmidos oblíquos

são onze horas escuras
são minúsculas as palavras
os títulos se misturam

eu não tenho medo